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> nùmeros publicados > designis 2 > lecturas Jean-Marie Floch (1942-2001) Jean-Marie Floch faleceu no último dia 10 de abril 2001 e, após uma semana, ocorreram as cerimônias fúnebres nessa terça-feira nos arredores de Paris, onde por muitos anos viveu e, uso dizer, sem dúvidas, que foi muito feliz com os seus familiares. Homem sensível, humano, Floch tinha uma rara inquietude intelectual e uma dinamicidade que lhe possibilitaram, ao mesmo tempo, atuar como pesquisador, professor e consultor de comunicação e marketing, atendendo contas de renomados clientes, atividade profissional na qual fez a semiótica encontrar sua ação efetiva fora da academia, do mesmo modo como soube converter sua prática e atuação no mercado em subsídios semióticos que fizeram avançar a semiótica geral no âmbito da figuratividade, do sincretismo e das estratégias de manipulação. Ele ensinava semiótica na Fondation National des Sciences Politiques e, até 1995, animou o atelier de "Sémiotique visuelle", que fora formado em torno do "Seminaire de Sémantique génèralle" de A.J. Greimas na E.H.E.S.S., no final da década de sessenta. Foi Floch um dos integrantes fundadores desse núcleo de investigação coletiva, o qual coordenou por mais de trinta anos consecutivos. Sem mencionar, que durante as suas escapatórias nos Alpes, montanhês que era, ele também se dedicava à criação de imagens em desenhos e aquarelas, reservadas a poucos. Pesquisador estrangeiro integrante do Centro de Pesquisas Sociossemióticas, seus desenvolvimentos da semiótica pontuam a maioria de nossas investigações sobre o semi-simbolismo, a figuratividade, a figuratividade profunda, a semiótica sincrética, semiótica plástica e a das mídias. Com extremo rigor conceitual e metodológico, o semioticista apaixonado pela imagem tinha interesses múltiplos que fizeram de seu pioneirismo na constituição da semiótica visual a abrangência mesmo que esse campo disciplinar tem na atualidade. Seus escritos abordam imagens da pintura (Petites mythologies de l'il et de l'esprit, Paris, Hadès, 1985), da fotografia (Les formes de l'empreinte, Périgueux, Fanlac, 1986); das mídias (Sémiotique, marketing et communication, Paris, Presses Universitaires de France, 1990, "La génération d'un espace commercial", Actes Sémiotiques-Documents, 87, 1987), dos objetos de marcas e as marcas na sociedade de consumo (Identités visuelles, Paris, Presses Universitaires de France, 1995), das histórias em quadrinhos (Une lecture de Tintin au Tibet, Presses Universitaires de France, 1997), dos ícones russos, que nos ficaram legados por suas notas elaboradas ao longo dos últimos dez anos. O retrato do intelectual que se ocupou com perspicácia e inventividade de um bricolleur do estudo de nossa cotidianiedade fica ainda para um esboço futuro. Hoje, por mais esperada que fosse a morte do intelectual dado ao agravamento de sua enfermidade, emerge somente a triste confirmação de que Jean-Marie foi interrompido no apogeu de sua maturidade intelectual. Para a fecundidade do seu trabalho intelectual, a vida foi extremamente curta. Ana Claudia Alves de Olivera |
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