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MODA: UMA QUESTÃO DE ENVOLVIMENTO
Ana Paula Celso de Miranda
Carol Garcia
Sérgio C. Benício de Mell
“Oh, não discutam a “necessidade”! O mais pobre dos
mendigos possui ainda algo de supérfluo na mais miserável coisa. Reduzam
a natureza às necessidades da natureza e o homem ficará reduzido ao animal:
a sua vida deixará de ter valor. Compreendes por acaso que necessitamos
de um pequeno excesso para existir?”
Rei Lear - Shakespeare
O objetivo deste trabalho é auxiliar no entendimento do fenômeno do consumo
de vestuário de moda, buscando identificar diferenças entre as consumidoras
em termos de envolvimento com moda. As atitudes em relação ao consumo
de moda (aparecer, ser, parecer, idealizar, inovar) foram relacionados
com os fatores de envolvimento. Estes dados foram coletados através de
160 entrevistas pessoais com mulheres na cidade de Curitiba. Confirmando
o que a teoria prevê, as mulheres demonstraram ser altamente envolvidas
com moda. As mulheres que são guiadas pela dimensão aparecer, no que tange
ao consumo de moda, demonstraram serem as mais envolvidas, apresentando
características de líderes de opinião.
INTRODUÇÃO
O comportamento de consumo de um indivíduo será dirigido através do envolvimento
de seu autoconceito pelo consumo de produtos como símbolos. O papel da
imagem que o indivíduo tem de si mesmo serve como motivador de comportamento
humano no “marketplace”(Grubb, 1967).
A moda é um dispositivo social, portanto o comportamento orientado pela
moda é fenômeno do comportamento humano generalizado e está presente na
sua interação com o mundo (Blumer, 1969; Sproles, 1981; Holbrook et al.,
1986; Lipovetsky, 1989; Miller, 1993; Solomon, 1996; Thompson et al.,
1997).
Esta área pode ser considerada, principalmente no Brasil, de natureza
exploratória, por ser um problema cujos pressupostos teóricos não estão
claros ou são difíceis de encontrar. Nessa situação, faz-se pesquisa não
apenas para conhecer o tipo de relação existente, mas sobretudo para determinar
a existência de relação (Richardson, 1989).
Solomon (1996) afirma que a pesquisa exploratória é realizada para prover
dados sobre questões ainda insipientes; gerar idéias para futuros estudos
mais rigorosos; ou testar um palpite do pesquisador sobre determinado
fenômeno, ou seja, é designada para prover insights de um problema quando
o fenômeno ainda não está bem definido.
A moda tem historicamente criado uma associação forte entre feminilidade
e a busca do “estar na moda”, onde se realça a importância da aparência
na construção social da feminilidade. Logo, mulheres são mais suscetíveis
às mensagens de moda que os homens (Thompson, 1997).
A relevância deste trabalho está em auxiliar no entendimento do fenômeno
do consumo de vestuário de moda.
Exposta a importância do tema e a justificativa prática e teórica deste
trabalho, segue a estrutura para sua realização. Este trabalho de pesquisa
está dividido nas seguintes partes: A parte 1 compreende o referencial
teórico-empírico que serve de base para a realização desta pesquisa. Na
parte 2, referente à metodologia, resultados e conclusões da pesquisa.
MODA
O comportamento de consumo pode ser explicado pela necessidade de expressar
significados mediante a posse de produtos que comunicam à sociedade como
o indivíduo se percebe enquanto interagente com grupos sociais. Os atributos
simbólicos são dependentes do contexto social. “É essa a lição que se
pode tirar dos adornos, ou das diversas modulações do próprio corpo; elas
fundam o corpo social, constituem, no sentido mais simples, sua economia
específica.” (Maffesoli,1996)
A moda possui, entre outras, duas facetas singulares: a busca pela individualidade
e a necessidade de integração social. A primeira parte da premissa que
o estilo de vestir é assinatura, reação contra a sociedade de massa, onde
a individualidade é expressa amplamente pela forma como se veste (Dichter,
1985). A segunda refere-se como pressões sociais para a conformidade podem
influenciar dramaticamente a escolha de estilos. Esta pressão ocorre principalmente
pela aprovação social do grupo no qual o indivíduo quer ser aceito. Neste
momento entra o conceito de conformidade que “refere-se à mudança nas
crenças ou ações como reação à pressão real ou imaginária do grupo” (Solomon,
1996). São essas normas que regem o uso apropriado de roupas entre outros
itens pessoais, segundo Levi-Strauss (1970) significa-se sempre, seja
ao outro, seja a si mesmo.
Moda é processo muito complexo que opera em vários níveis. Em um extremo,
está o macro, fenômeno social que afeta muitas pessoas simultaneamente.
Do outro, ela exerce efeito muito pessoal no comportamento individual.
As decisões de compra do consumidor são freqüentemente motivadas pelo
desejo dele ou dela de estar na moda (Solomon, 1996, p.563).
Sendo a moda símbolo na sua própria essência, parece certo afirmar que
à ela se aplica perfeitamente esta transferência de significados, visando
a comunicação entre os integrantes de sociedades, onde tudo comunica e
onde“[...] o vestuário é comunicação” (Eco, 1989, p. 07). São as associações
entre objetos e significados culturalmente constituídos que consolidam
símbolos. O uso proeminente da moda é desenvolver senso de identidade
pessoal. Consumidores usam a moda para representar tipos sociais específicos
e formar senso de filiação ou desassociação com a construção de identidade
social por eles idealizada (Thompson, 1996). Dos muitos símbolos e expressões,
a roupa é uma das mais importantes linguagens não verbalizadas do eu que
passa pelo grupo de controle social; por ela as pessoas procuram um entendimento
próprio e comunicam para os outros esta percepção de si, enquanto demandam
a integração social mediante o que é culturalmente aceito pelo grupo de
que fazem parte (Schouten, 1991). Os atributos simbólicos de um produto
revelam como o uso e/ou a propriedade deste produto associam o consumidor
com o grupo de referência, papel social ou autoimagem (Lefkoff-Hagius
et al., 1993). “[...] as roupas são máquinas de comunicar” (Maffesoli,
1996, p.161).
As imagens e as suas construções simbólicas, como a fita vermelha pelas
vítimas da AIDS, os lenços das “mães da Praça de Maio”, os cabelos compridos
do movimento hippie, a jaqueta perfecto vermelha de James Dean... e especialmente
nas metáforas existentes dentro delas é que se expressa o significado
das experiências, na metáfora se transfere por analogia o significado
de um objeto para outro (Engel et al., 1991; Clark, 1996).
A moda se impõe, “[...]é a pressão, sobre esses gostos pessoais, de um
consenso coletivo” (Freyre, 1987, p. 18). Existe a possibilidade de consenso
entre o gosto individual e a pressão do coletivo, mas as divergências
existem e funcionam como propulsor da mudança na moda. Esta imposição
do geral sobre o particular fica como base para que a moda se estabeleça.
A pressão se realiza pelo indivíduo acreditar que “estar fora de moda”
é “[...]condenação social à sua posição na sociedade ou na cultura de
que participe”(op.cit., p. 19). Influenciar consumidores para adotar ou
rejeitar produtos depende do significado social destes e da sua relação
com os grupos de referência (Englis et al., 1995). A palavra chave para
grupos de referência parece ser influência pessoal. Pessoas comparam a
si próprias com outras procurando por similaridades e diferenças para
formar sua autoidentidade (Sproles, 1985).
Cada grupo social possui os seus próprios inovadores de moda, que lhe
determinam as tendências. Blumer (1969) lembra bem que “nem todas as pessoas
importantes são inovadoras e inovadoras não necessariamente são pessoas
de alto prestígio”. A moda assim implica em imposição do grupo e depende
de sentimento especial de aprovação coletiva (Souza, 1987). O indivíduo
possui tendência psicológica à imitação, esta proporciona a satisfação
de não estar sozinho em suas ações. Ao imitar não só transfere a atividade
criativa, mas também a responsabilidade sobre a ação dele para o outro.
A necessidade de imitação vem da necessidade de similaridade. Sob esta
dimensão, conclui-se que moda é a imitação de modelo estabelecido que
satisfaça a demanda por adaptação social, diferenciação e desejo de mudar,
sendo baseada pela adoção por grupo social (Simmel, 1904).
Todos os dias, ao abrirmos o armário em busca de vestimentas adequadas
para pôr os pés no mundo, procuramos algo que possa nos distinguir. Lenço,
brinco, paletó que nos deixem alguns centímetros acima da humanidade.
Queremos nos desassociar dos clichês vulgares, ter personalidade. Ser
diferentes das pessoas comuns e semelhantes aos nossos pares sejam eles
surfistas, camponeses, hindus ou beduínos. Ao mesmo tempo em que consegue
ser única, tornando cada indivíduo singular, a moda agrega os iguais com
seu canto de sereia, oferecendo uma ponte de comunicação silenciosa.
A lógica é a diferença individual e a inovação estética, ou promoção da
identidade pessoal e legitimação da expressão individual. Ou seja, diferenciar
para singularizar, ao mesmo tempo em que não rompe com os padrões da sociedade.
Esta parece ser a interpretação de Lipovetsky (1989, p.39), quando diz:
Mas a moda não foi somente um palco de apreciação do espetáculo dos
outros; desencadeou, ao mesmo tempo, um investimento de si, uma auto-observação
estética sem nenhuma precedente. A moda tem ligação com o prazer de ver,
mas também com o prazer de ser visto, de exibir-se ao olhar do outro.
Trata-se de dispositivo social, portanto o comportamento orientado por
ela é fenômeno presente na interação do homem com o mundo. Ato de narcisismo
e de generosidade, porque é para si e também para o outro.
É igualmente processo de adoção de símbolos que provê de identidade os
indivíduos, uns em relação aos outros (Miller et al., 1993). Mesmo aqueles
que afirmam jamais segui-la de perto (os membros do grupo “anti-fashion”)
consomem pelo menos dois de seus mais badalados produtos jeans e camisetas.
O valor simbólico agregado ao valor funcional dos objetos de consumo vêm
atender a um objetivo claro: acompanhar as mudanças das estruturas sociais
e interpessoais (Baudrillard, 1995).
Muitos fatores psicológicos ajudam a explicar porque pessoas são motivadas
a estar na moda, tais como conformidade social, busca da variedade, criatividade
pessoal e atração sexual. Estes consumidores têm necessidade de serem
únicos, querem ser diferentes, mas não tão diferentes assim que percam
a sua identidade social (Solomon, 1996).
ENVOLVIMENTO: OBJETOS DE DESEJO
O grau de envolvimento pessoal é o mais importante fator que condiciona
o tipo de comportamento do processo de decisão que será seguido.
Para Engel et al. (1995), o ponto de partida do envolvimento da pessoa
está subjacente a suas motivações na forma de necessidades, valores e
auto-conceito. Isto é ativado quando o objeto (o produto, serviço, ou
mensagem promocional) é percebido como sendo instrumento de significado
para suas necessidades, metas e valores. Os três fatores que estão presentes
no envolvimento são os fatores pessoais, os fatores do produto e os fatores
situacionais.
Em Shinyashiki (1996), os fatores determinantes de alto envolvimento são:·
-Relacionamento com o ego - isto ocorre quando a escolha é percebida como
refletindo a auto-imagem, uma das características principais dos produtos
de moda.·
-Risco percebido de conseqüência negativa - Todos temem que os resultados
de uma compra não confirmem as expectativas.
-Sanções sociais - quando a aceitação social é afetada pela escolha de
produtos e serviços, forçando a necessidade de fazer a decisão certa.
-Significância hedônica - o produto ou serviço adquirido assume a importância
de oferecer significativa habilidade de proporcionar prazer.
Segundo Otker (1990), o envolvimento pode acontecer num contínuo que vai
do baixo envolvimento para o elevado.
Baixo envolvimento: os consumidores não estão interessados em maiores
informações sobre os produtos. Em geral, são produtos baratos, para os
quais existem similares, e agregam pouco valor e status.
Alto envolvimento: o consumidor se empenha para obter informações precisas
sobre o produto e a marca. Não está disposto a correr riscos. Envolve
maior durabilidade, é mais caro e proporciona maior conforto e status.
Roupas sofisticadas estão caracterizadas nesta categoria.
O modelo de adoção e difusão explica o processo de moda sob a ótica do
reconhecimento do especialista no assunto, para que haja o fenômeno de
imitação e diferenciação, o que define este tipo de consumo (Sproles,
1985).
MODELO DE ADOÇÃO E DIFUSÃO: A LÓGICA DA FANTASIA
O inovador é o primeiro comunicador visual do estilo para os consumidores
e influencia quando define e endossa padrões apropriados. Inovação e liderança
de opinião são altamente relacionados no contexto de adoção de vestuário
de moda (Gorden et al., 1985).
Os líderes de opinião têm importância primordial para o consumo de moda,
porque os estágios do ciclo de vida de produto de moda são introdução
e adoção por parte dos líderes de moda, incremento da aceitação pública
(crescimento), conformidade da massa (maturação), e o inevitável declínio
e obsolescência. Ou seja, o primeiro estágio para a aceitação e difusão
de determinada moda passa pela adoção dos líderes de opinião de moda.
Os fatores que governam a difusão da moda são: adoção do líder, continuidade
histórica, estratégia de marketing, acesso da massa, apropriação social,
pressões de conformidade social (Sproles,1981).
Líderes de opinião são pessoas que têm conhecimento tal sobre o produto
que seus conselhos são levados a sério pelos outros, portanto são pessoas
capazes de influenciar atitudes ou comportamentos (Solomon, 1996).
A liderança de opinião de moda é altamente relacionada com conhecimento
sobre o tópico, a discussão e o interesse sobre ele (Myers et al. 1972).
Para Otker (1990), quando o indivíduo é envolvido por algo, se sente envolvido,
este aplica certa energia para participar disto efetivamente.
“Envolvimento é estado da motivação ou interesse. Este estado existe em
processo. Ele é direcionado por variáveis externas (como situação, produto,
comunicação) e por variáveis internas (ego, valores centrais). Isto é
conseqüência de tipos de pesquisa, processamento e tomada de decisão”
(Rotshild, apud Otker, 1990). Logo, as pessoas são mais envolvidas com
produtos que despertem suas necessidades, valores e interesses pessoais.
Para Zaichkowsky (1985), o envolvimento com produtos está relacionado
com percepção de atributos diferentes, percepção de importância destes
atributos e comprometimento com a escolha de marcas.
Consumidores envolvidos investem mais tempo pensando sobre a compra e
têm grande conhecimento sobre a classe de produto. O envolvimento com
o produto é pré-requisito para a formação de segmento importante de mercado,
que são os chamados heavy users ou líderes de opinião (Hong e Rucker,
1995). Portanto, o envolvimento leva à busca ativa de informações sobre
o produto objeto de interesse. Isso tem como conseqüência acúmulo diferenciado
de conhecimento sobre o tópico, o que faz esta pessoa ser reconhecida
como líder de opinião, ou seja, pessoa que detém informações específicas
sobre o assunto.
Partindo desta conclusão, onde envolvimento, busca de informação e liderança
de opinião estão relacionados, utiliza-se como base o trabalho de Tigert
et al. (1976). Este traz cinco fatores definitivos para o envolvimento
com moda, onde estão inseridas as questões de busca de informação e liderança
de opinião: tempo de compra e capacidade de inovação em moda (quanto mais
cedo adota nova moda, mais envolvida); comunicação interpessoal em moda
(quanto mais conversa sobre o assunto e tem poder de influenciar outros,
isto significa que é envolvida); interesse em moda (quanto mais interessada
no assunto, mais envolvida); conhecimento sobre moda (quanto mais conhece
sobre moda, estilo e tendências, mais inserida na moda); ciente da moda
e reação às mudanças das tendências (quanto mais monitora as tendências
para segui-las, mais envolvida com o assunto).
O argumento básico dos autores para a indicação destas dimensões como
componentes do envolvimento parte do seguinte raciocínio: o consumidor
altamente envolvido com moda busca informações sobre o assunto, tornando-se
assim um especialista e, por conseguinte, ao ser reconhecido como um expert
em moda é elevado ao status de líder de opinião, ou seja,um difusor da
moda a partir do uso da comunicação interpessoal. Reynolds e Darden (1971)
desenvolveram escala usando a busca de informações como forma de mensurar
a liderança de opinião, sugerindo adicionar a esta a comunicação interpessoal
e a capacidade de influenciar. Este trabalho foi desenvolvido com foco
na moda e suas variáveis são interesse, busca de informação, exposição
social, atividade social, educação e mobilidade física. As categorias
chamadas interpessoais obtém resultados sobre integração, independência,
dependência ou isolamento social. Segundo o autor, estas categorias são
definidoras de quem transmite e busca informação.
ATITUDE DE MODA
Atitudes levam as pessoas a gostarem ou não das coisas, aproximarem-se
ou afastarem-se delas. Esses gostos e desgostos são chamados atitudes.
Atitudes são avaliadas para entender porque um consumidor faz ou não faz
uma determinada compra de um produto específico. Fica mais fácil compreender
isto se ligamos atitudes ao aprendizado do consumidor. Atitude é uma avaliação
global que permite responder de uma maneira consistentemente favorável
ou desfavorável com respeito a um dado objeto. É composta por: componente
cognitivo (crenças), componente afetivo (sentimentos) e componente apreendido
(intenções comportamentais). As crenças e sentimentos compõem a atitude
que conduz a um determinado comportamento.
As pessoas têm atitudes com relação a roupas, entre outras coisas. Os
itens do vestuário e o modo de vestir das pessoas são a melhor metáfora
das modificações de atitudes e valores individuais. O sutiã que foi queimado
em praça pública pelas feministas, por exemplo, hoje é usado como arma
de sedução.
A seguir são descritas na Tabela 1 as dimensões identificadas por Miranda
et. al. (1999a, 1999b, 1999c) e os itens que as constituem.
Aparecer: nesta dimensão, o objetivo do consumo de moda é chamar
atenção, se destacar na multidão e com isso ser vitoriosa, seja na conquista
amorosa ou simplesmente para obter mais olhares sobre si do que as outras.
Ser: expressa a preocupação em atender as pressões sociais e fazer
parte de grupo com o qual se identifique. Questões como segurança e identificação
estão presentes nesta dimensão: “penso, logo me visto”. Como me visto
porque convivo, percebo a roupa de moda como carteira de identidade. Nela
dou referência para o meio onde exerço minhas atividades sobre como sou,
o que acredito e o grupo que represento.
Parecer: é a dimensão de características mais femininas. A vaidade
é a força motriz para o consumo de moda.
Idealizar: é voltado para o outro, para o que acredita ser a imagem
ideal, a projeção. Também denota insegurança e baixa auto-estima.Inovar:
representa o desejo de mostrar cultura, atualidade, informação. Estar
na moda é “estar por dentro”, é ser in. Moda é informação porque moda
é sempre moderna, está sempre mudando e quem está na moda é moderno. Ser
fashion é estar “antenado com o mundo”.
TABELA 1
DIMENSÕES DA ATITUDE EM RELAÇÃO AO CONSUMO DE MODA
|
Aparecer
|
Ser
|
Parecer
|
Idealizar
|
Inovar
|
|
1.Competir e conquistar
|
1. Sentir-se segura
|
1. Sentir-se charmosa e elegante
|
1. Sentir-se charmosa e elegante
|
1. Sentir-se charmosa e elegante
|
|
2.Seduzir
|
2. Dar referência sobre o eu
|
2. Ficar bonita
|
2. Ficar bonita
|
2. Ficar bonita
|
|
3.Ser extravangante
|
3. Representar o meio
|
|
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|
|
4.Transformar
|
4. Parecer o que é
|
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|
5.Ser notada
|
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6.Ser diferente
|
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|
Fonte: Miranda et al. (1999a, 1999b, 1999c)
METODOLOGIA DA PESQUISA
Para esta análise foi adotado o índice de envolvimento com moda desenvolvido
por Tigert et al. (1973), o mesmo foi atualizado e contextualizado conforme
entrevistas com profissionais da área de moda .A população da primeira
fase qualitativa foi composta pelos profissionais de moda que trabalham
na cidade de Curitiba e foram entrevistados 13 destes profissionais.
Os entrevistados, nessa primeira fase, foram 9 mulheres e 4 homens, dentre
eles coordenadores de centros de moda, professores universitários de cursos
de moda, publicitários, assessores de estilo, consultores de moda, estilistas,
produtores de moda, jornalistas especializados em moda, proprietários
de confecção e fotógrafos de moda.
Na segunda fase foram entrevistadas 160 mulheres, a pesquisa trabalhou
com as classes sociais A1, A2, B1 e B2 conforme o Critério de Classificação
Econômica Brasil. Os grupos de idade trabalhados foram: 20 a 25 anos,
26 a 35 anos, 36 a 45 anos, 46 a 55 anos). Os estados civis identificados
foram solteiras (55), casadas (85), divorciadas (11) e viúvas (4).
A população foi exclusivamente feminina; de acordo com o trabalho de Solomon
(1982), as mulheres são mais envolvidas com vestuário do que a população
masculina; a relação entre autopercepção pública e a dimensão relativa
ao vestuário são muito fortes neste segmento.
Foi gerada correlação entre as dimensões de atitude em relação ao consumo
de moda (Miranda et al., 1999a) e os itens de envolvimento com moda identificados.
ÍNDICE DE ENVOLVIMENTO COM MODA X ATITUDE DE MODA
O envolvimento em relação à moda das entrevistadas foi mensurado utilizando
o índice de envolvimento com moda de Tigert et al. (1973), o mesmo, antes
de ser aplicado, foi ampliado, utilizando os resultado da pesquisa qualitativa
sobre a questão em estudo como bússola para o melhor direcionamento do
questionário. O resultado foi o seguinte:
1. Reação à mudança das tendências
2.Comunicação interpessoal
3.Busca de informação “in loco”
4.Conhecimento sobre o tema
5.Exposição a informação de vanguarda
6.Capacidade de inovação e tempo de compra
7.Habilidade em influenciar
8.Interesse no tema
Estes oitos itens do comportamento em relação ao envolvimento com moda
foram traduzidas nas seguintes questões:
1.Eu leio as novidades de moda regularmente e tento manter meu guarda-roupa
em dia com as tendências.
2.Eu forneço informação sobre tendência de moda para meus amigos.
3.Eu vou ao shopping center e às ruas de comércio para ver as vitrines.
4.Eu não converso com as vendedoras das lojas especializadas.
5.Eu viajo freqüentemente ao exterior.
6.Eu faço minhas compras de roupa da estação depois que a maioria das
mulheres.
7.Eu, sempre, influencio o tipo de roupa que meus amigos compram.
8.Eu sou interessada em moda.
TABELA 2
DESCRITIVO DO ENVOLVIMENTO COM MODA
|
Dimensão de envolvimento
|
Média
|
Desvio Padrão
|
|
Reação à mudança de tendências
|
3,44
|
1,39
|
|
Comunicação Interpessoal
|
2,95
|
1,68
|
|
Busca de informação in loco
|
4,06
|
1,46
|
|
Conhecimento sobre o tema
|
3,47
|
1,76
|
|
Exposição à informação de vanguarda
|
1,73
|
1,35
|
|
Capacidade de inovação e tempo de compra
|
3,53
|
1,50
|
|
Habilidade em influencia
|
1,88
|
1,41
|
|
Interesse no tema
|
3,88
|
1,54
|
A análise descritiva da Tabela 2 mostra baixo envolvimento em relação
aos itens “comunicação interpessoal”, “exposição a informação de vanguarda”
e “habilidade em influenciar”; apresenta médio envolvimento nos itens
“reação a mudança de tendências”, “conhecimento sobre o tema”, “capacidade
de inovação e tempo de compra” e “interesse no tema”; indica alto envolvimento
apenas para o item “busca de informação in loco”. Demonstra que o mais
freqüente nos seus hábitos em relação ao consumo de moda é a corrida ao
shopping, o ver vitrines, sendo este também conhecido como um dos passatempos
favoritos das mulheres em geral. Os resultados descritivos mostram que
elas pouco viajam ao exterior, ou seja, de acordo com os especialistas,
não estão expostas à informação de ponta, explicada pela lógica geográfica
de difusão da moda (dos grandes centros para as cidades menores), sendo
aqui Europa e USA os grandes centros e o resto do globo as cidades menores,
também foi identificada a quase ausência da habilidade de influenciar,
ser demandada para dar conselhos na aquisição de roupas por amigos em
geral
TABELA 3
CORRELAÇÃO ENTRE DIMENSÕES DE ATITUDE E ITENS DE ENVOLVIMENTO
| Dimensões |
Reação a mudança de tendências |
Comunicação Inter- pessoal |
Busca de informação in loco |
Conhecimento sobre o tema |
|
Aparecer
|
0,00***
|
0,04**
|
0,03**
|
0,11(NS)
|
|
Ser
|
0,07*
|
0,76(NS)
|
0,18(NS)
|
0,37(NS)
|
|
Parecer
|
0,11(NS)
|
0,02**
|
0,03**
|
0,26(NS)
|
|
Idealizar
|
0,70(NS)
|
0,33(NS)
|
0,81(NS)
|
0,45(NS)
|
|
Inovar
|
0,32(NS)
|
0,86(NS)
|
0,46(NS)
|
0,85(NS)
|
| Dimensões |
Exposição à informação de vanguarda |
Capacidade de inovação e tempo de compra |
Habilidade em influenciar |
Interesse no tema |
| Aparecer |
0,14(NS)
|
0,69(NS)
|
0,00***
|
0,04**
|
| Ser |
0,98 (NS)
|
0,10*
|
0,45(NS)
|
0,00***
|
| Parecer |
0,21(NS)
|
0,06*
|
0,07*
|
0,13(NS)
|
| Idealizar |
0.87(NS)
|
0,70(NS)
|
0,68(NS)
|
0,64(NS)
|
| Inovar |
0,04**
|
0,07*
|
0,80 (NS)
|
0,37 (NS)
|
*p<0,10** p<0,05***p,0,01(NS) não tem diferença significativa
A análise da correlação demonstra que as mulheres direcionadas para o
consumo de moda pela dimensão aparecer são as que apresentam melhores
correlações entre os itens de envolvimento e sua dimensão, apresentando
uma correlação alta para os itens reação às mudanças de tendências e habilidade
de influenciar. Isto é um indicador de que as mulheres guiadas por esta
dimensão buscam a novidade e compram imediatamente o que se explica perfeitamente
pela sua necessidade de aparecer, de se fazer notada. Aparecer demonstra
média correlação para os itens comunicação interpessoal, busca de informação
in loco e interesse no tema; o que mostra que estas mulheres são fornecedoras
de informação (o que deve ser conseqüência de sua preocupação em buscar
informação e que as faz serem reconhecidas como detentoras do conhecimento).
Também pelo seu interesse declarado em moda, aparentemente esta é a dimensão
da líder de opinião em moda.
A dimensão ser possui alta correlação para interesse pelo tema, ou seja,
a mulher que quer demonstrar o seu jeito de ser através da roupa que veste
gosta de moda. Apresenta baixa correlação para reação à mudança das tendências
e capacidade de inovação e tempo de compra, ela se preocupa de forma moderada
em estar em dia com as tendências, tem uma reação positiva para as mudanças.
A dimensão parecer possui média correlação com os itens comunicação interpessoal
e busca de informação in loco, a mulher que se veste para ficar bonita,
charmosa e elegante, muito estética, ela é fornecedora de informação e
também é habitual do shopping enquanto hobby feminino. Apresenta baixa
relação para os itens como capacidade de inovação e tempo de compra e
habilidade em influenciar. É interessante notar que, quando positivo o
resultado para comunicação interpessoal, temos em conseqüência um resultado
positivo para habilidade de influenciar, ou seja, se fornece informações
logo influencia nas aquisições; a capacidade de inovar também está presente
e tem sua lógica sutil, se é aberta ao novo e compra antecipadamente vai
ser reconhecida pelas adotadoras atrasadas, consumidoras pouco envolvidas
com moda, como indicador para novas compras.
A dimensão idealizar não apresenta correlação para nenhum dos itens de
envolvimento, demonstrando um baixo envolvimento das mulheres guiadas
para o consumo de moda pelas necessidades de mostrar uma imagem idealizada,
explica-se também pela falta de personalidade de procurar uma imagem ideal.
Se gostaria de ser alguma coisa não gosta do que é, se não gosta do que
é como vai se identificar com um tema tão inovador quanto a moda? Precisa
ter coragem para seguir a moda, é preciso ousar.
>A dimensão inovar apresenta média correlação para o item exposição à
informação de vanguarda, se separadas as mulheres que querem mostrar que
são inovadoras e atuais através das roupas que vestem. O fato de viajarem
com freqüência ao exterior facilita este processo, elas vestem o que não
saiu nas revistas nacionais e que só será moda local daqui a seis meses
ou até um ano. Apresenta baixa correlação para o item capacidade de inovação
e tempo de compra, o que é de uma lógica ímpar. A ausência de correlação
nos demais itens para esta dimensão aparentemente é curiosa, mas uma análise
mais cuidadosa leva a perceber que as pessoas guiadas por esta dimensão
são as reconhecidas pelas pessoas à sua volta como “estranhas” ou, para
ser mais sutil, como “exóticas”. Então, elas não são reconhecidas como
líderes de opinião, não fornecem informação, nem influenciam. O seu jeito
de vestir, como ainda não é moda local, não é compartilhado.
CONSIDERAÇÕES FINAIS: PREVISÃO DE UM NOVO TEMPO
Se a história da moda for juiz, os séculos sempre se despediram com criatividade,
apesar da pressão de costumes e padrões. Sem se deixar intimidar pela
chegada do próximo milênio, os anos 90 oscilaram de Pucci a Gucci, com
tudo que possa se espremer entre o grunge escrachado e o romântico delicado,
entre o retrô de boutique e o glamour das ruas. Pensando bem, um bocado
de looks para uma década que se intitulou minimalista.
A silhueta variou dramaticamente na última década deste milênio, oferecendo
uma variedade de estilos tão ampla que a criação não acaba na confecção.
Moda e roupa coexistem e interagem, mas são distintas entre si. O lápis
do estilista desenha os desejos da humanidade e seu cérebro filtra. A
indústria percebeu esse fenômeno, seja ele capitaneado pelo vaidade ou
pela necessidade, e oferece, a cada virada de estação, uma síntese do
anseio da maioria das pessoas ou de um grupo previamente definido. Trata-se
de um sistema de renovação permanente das maneiras de se vestir e de se
comportar, contextualizado no meio ambiente de cada cidadão.
Gostos, preferências e personalidades são levados em consideração. Quanto
mais variados esses anseios, maior diversidade alcança a moda. Os grandes
magazines não apresentam mais a tendência da temporada, mas vários temas,
formas, cores e texturas emergentes. A preponderância do retrô encoraja
o surgimento de lojas de segunda mão e a celebração da roupa como algo
não descartável. Economia não é assunto só para experts do mercado financeiro.
Os ingredientes desse coquetel tornam-se suficientemente distintos a ponto
de desnortear o consumidor. Qual é o filtro, então, que define as bases
de conduta nessa batalha com a própria identidade? A resposta é, simultaneamente,
simples e complexa: informação e opinião própria. Nesse momento, é a globalização
de informações que dá uma margem de segurança acima da média das décadas
anteriores para que cada ser humano expresse, no vestir, a sua individualidade,
girando as engrenagens silenciosas do mercado de moda.A presente pesquisa
permitiu alcançar os objetivos previamente propostos no sentido de melhor
conhecer o comportamento de consumo de vestuário de moda feminino, inclusive
tornando possível a correlação entre as dimensões de atitude em relação
à moda (identificadas em trabalho anterior) com os itens indicadores de
envolvimento com moda.
Dados os resultados apresentados na pesquisa, podem ser levantadas algumas
implicações e recomendações gerenciais ao sistema de moda.O vestuário
acopla funções diversas (religiosas, profissionais, estratificadoras,
estéticas, sociais, culturais, entre outras) capazes de, num passe de
mágica, transformar o velho no novo, o gordo no magro, o pobre no rico...
Ainda que por alguns instantes. Afinal, quem já não ouviu falar no milagroso
“banho de loja”? É através da concepção do marketing da roupa em questão
que se propõe um determinado tipo de mudança. Cada cabide, uma sentença.
Contribuindo neste trabalho de segmentação do mercado feminino de moda,
tão difícil de lidar e compreender por suas características de mudança
constante, é de grande importância identificar dentre as dimensões que
guiam o comportamento de consumo quais as mais envolvidas com moda e como
se comportam diante de cada indicador.
O mercado de moda é exposto a mudanças contínuas. A mulher busca consumir
na moda mais do que a roupa, mas acima de tudo o seu conceito, a sua identidade.
É o seu jeito de dizer o que ela pensa, como ela é, ou como quer ser percebida.Antigamente,
o look só era considerado elegante se fosse uma superposição total de
artigos de grife. Hoje, isso não vale mais. Mesmo os grandes produtores
de moda misturam peças de passarela a elementos étnicos, streetwear ou
roupas herdadas. Pavimentando o caminho de um novo milênio, cada um é
estilista de si mesmo. O privilégio é mais da atitude de quem veste do
que da indumentária.
Planos de comunicação devem levar em consideração as fontes de mensagem
mais relevantes para o consumo de moda. As mulheres guiadas pela dimensão
aparecer e parecer são as mais envolvidas e demonstram características
de líderes de opinião, que devem ser trabalhadas pela ação de marketing
como público-alvo de interesse prioritário, por funcionarem como multiplicadoras
e indicadoras de compra. Quanto mais o conceito da roupa, a mensagem da
marca e o conteúdo da comunicação forem direcionados para atender às necessidades
simbólicas destas mulheres, tanto maior será a facilidade em ampliar a
participação de mercado, através do efeito multiplicador.
A Pepe Jeans marca inglesa de streetwear ao ingressar em qualquer
mercado, (podemos citar Curitiba em 1999), identifica 10 líderes de opinião
de moda neste segmento e patrocina suas roupas por um ano. Quando estas
pessoas estão usando a marca há seis meses, abrem a loja. O público está
entre 15 e 29 anos e seus concorrentes brasileiros são Triton e Zapping,
na Europa, Diesel e Replay, ambas italianas.
A mulher não envolvida com moda é a mulher cliente das Casas Pernambucanas,
não tem referencial. Trata-se de mulher comum da classe trabalhadora.
Busca tecidos florais miúdos para confeccionar vestido igual aos outros
que já possui (cintura marcada, manga justa, botões frontais). O estilista
mineiro Ronaldo Fraga fez um tributo à essa mulher em uma de suas coleções
(intitulada “Álbum de Família”), na qual as bolsas eram samambaias, porque
o orgulho e a realização da dona de casa é ter uma samambaia bem bonita
e vistosa.A moda pode ser o elixir da ilusão. Imagine uma mulher vestindo
um tubinho preto, equilibrada num par de saltos altos. É intoxicante,
sedutora, poderosa. Auxiliada pela fada-madrinha Moda, ela ganha segurança
(intangível) numa mera troca de roupa (tangível). Quem duvida, basta puxar
pela memória. Um bonito vestido e um sapatinho de cristal fizeram maravilhas
por Cinderela.
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AUTORES
Ana Paula Celso de Miranda é consultora de marketing para negócios
de moda, mestre em administração pela Universidade Federal do Paraná (UFPR),
pesquisadora de comportamento de consumo em moda com trabalhos publicados
no Brasil e no exterior, professora da pós-graduação on-line em “Moda
e Comunicação” da Universidade Anhembi Morumbi e coordenadora do curso
de Administração de Empresas da Faculdade Boa Viagem (FBV) em Recife.
Pode ser contatada através do e-mail apcm7@hotmail.com
Carol Garcia
é editora-chefe da revista digital “Moda Brasil”, pesquisadora e professora
da pós-graduação on-line em “Moda e Comunicação” da Universidade Anhembi
Morumbi em São Paulo. Formada em Jornalismo
pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), com pós-graduação em Marketing
e Propaganda pelo CDE/FAE, é mestranda no
Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Semiótica da Pontifícia Universidade
Católica de São Paulo (PUC-SP). Como
consultora de comunicação para negócios de moda, atende empresas estabelecidas
no Brasil, Estados Unidos e França, sendo co-organizadora
do livro “Moda Brasil Fragmentos de um Vestir Tropical” (Editora Anhembi
Morumbi, 2001). Pode ser contatada através do e-mail mcarolinagarcia@uol.com.br
Sérgio Carvalho Benício de Mello,
PhD, é professor
e pesquisador da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).
Realizou vários trabalhos de consultoria e pesquisa para instituições
públicas e privadas. Fez Bacharelado e Mestrado na área de Administração
de Empresas e, mais recentemente, PhD em Marketing pela City University
Business School - Londres. Pode ser contatado através do e-mail scbm@bol.com.br
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